quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Para os amantes de filmes épicos, não poderia faltar à representação de um Soldado Espartano. Ou seja, a reprodução do cinema influenciando o autor.

Até mesmo, o maior guitarrista sob uma forma Blade vampiresca, ganha destaque. A metamorfose de seus riffs chega a influenciar neste desenho e bem cap

O veiculo utilizado como um painel móvel, capaz de levar a arte para diversos locais.

A invasão do Exército Norte Americano no deserto.



A invasão do Exército Norte Americano no deserto.



A arte de grafite.

A arte do grafite: ontem e hoje.

O mundo contemporâneo, este que estamos vivendo atualmente, possui uma diversidade imensa de ideologias, culturas, gostos, etc. Hoje o que se encontra na moda e em discussão acirrada é o processo globalizador e as suas respectivas conseqüências na vida de todos nós, habitantes deste planeta. O que este pequeno trabalho vem mostrar é uma das manifestações culturais resultantes da vivência neste mundo em contínuo contato e troca de informações, sendo que a intenção deste seria de buscar uma forma interessante de abordagem da prática do grafite atual, sem que se caia em uma abordagem que tome partido ou seja contra a certos fenômenos sociais, sejam eles expressos de uma forma marginal e reprimida pelas autoridades, ou como outras formas de expressão cultural e social em que o intuito é mostrar algo a mais para esta sociedade, representando-a nas suas pinturas a partir dos grafites, oriundos da cultura de rua norte-americana, e criando a esperança de que esta mesma sociedade compreenda a partir de um tipo específico de expressão gráfica, idéias e a vida cotidiana destas camadas excluídas do meio social em sua maioria.

Uma boa fonte para se poder seguir e evitar certa forma o risco de pré-julgamentos a determinados assuntos, principalmente polêmicos como este que citaremos, seria a da visão dos antropólogos quanto à abordagem de fenômenos considerados estranhos e fora dos padrões normais de comportamento dos grandes aglomerados humanos da humanidade. Cito o trabalho de Gilberto Velho[1] para tentar buscar um referencial conceitual em que se possa fundamentar uma posição mais científica, com o auxílio de alguma metodologia antropológica. Velho coloca a importância de percebermos, dentro de nossa própria sociedade pontos de estranhamento e de familiarização com diversos grupos sociais que convivem entre si e ao mesmo tempo em diversos espaços urbanos. Segundo ele, “a antropologia, embora sem exclusividade, tradicionalmente identificou-se com os métodos de pesquisa ditos qualitativos[2]. A observação participante, a entrevista aberta, o contato direto, pessoal, com o universo investigado constituem sua marca registrada. Insiste-se na idéia de que para conhecer certas áreas ou dimensões de uma sociedade é necessário um contato, uma vivência durante um período de tempo razoavelmente longo, pois existem aspectos de uma cultura e de uma sociedade que não são explicitados, que não aparecem à superfície e que exigem um esforço maior, mais detalhado e aprofundado de observação e empatia. No entanto a idéia de tentar pôr-se no lugar do outro e de captar vivências e experiências particulares exige um mergulho em profundidade difícil de ser precisado e delimitado em termos de tempo. Trata-se de problema complexo, pois envolve as questões de distância social e distância psicológica. Sobre isso Roberto Da Matta já situou com propriedade a trajetória antropológica de transformar o exótico em familiar e o familiar em exótico'”[3]. Sendo assim fica mais fácil perceber que dentro de um mesmo espaço urbano ocorram problemas quanto a certos comportamentos, pois estes nem sempre podem ser entendidos dentro das esferas psicológicas de entendimento de cada pessoa desta sociedade. Coletando certos depoimentos, de pichadores anônimos do Rio de janeiro, percebemos o quanto à prática da pixação é descriminada e mal vista pela maioria da população carioca. “Os pixadores cada vez mais estão sendo odiados no Rio... e isso piora a cada dia, porque com a busca cada vez maior da “fama” faz a disputa ser cada vez mais acirrada e mais e mais as ruas e os espaços vão sendo pichados”[4]. As pessoas se irritam com as constantes pixações nas ruas e prédios do Rio de Janeiro, o que gerou até a formulação de uma lei federal para a prática, a lei nº. 9.605/98. Seção IV: Dos Crimes contra o Ordenamento Urbano e o Patrimônio Cultural, o que já demonstra que a rejeição às pixações se generalizam em âmbito nacional de certa forma, não sendo fenômeno social restrito ao Rio de Janeiro e São Paulo, as suas maiores concentrações urbanas. Retomando a colocação do “estranhar o familiar” e o “familiarizar o estranho” pode-se perceber que o pichar nas grandes metrópoles se assemelham com o tipo de sociedade que vivemos. Eles, os pichadores, também disputam entre si a possibilidade de adquirir “status social” dentro deste grupo marginalizado na sociedade. É uma explicação plausível para o fato do porque destes jovens se arriscarem tanto, podendo perder suas vidas neste tipo de “aventura urbana”. Lembremos que nem sempre estes jovens (ou adultos, como no caso de nosso depoente citado anteriormente) possam possuir alguma consciência política e social ou algum tipo de reflexão individual em relação ao tipo de sociedade que estes vivem. Para sabermos isso e muitos outros detalhes que escaparam a esta breve reflexão necessitaríamos de mais dados, com certeza um trabalho de campo mais bem realizado, para talvez continuarmos a adotar uma visão mais antropológica, e um aprofundamento conceitual mais bem elaborado.

A análise das inscrições de Pompéia e as pichações e grafites atual, como anteriormente dito, teve além do viés antropológico as seguintes interpretações segundo referência de ensaio de Pedro Paulo Funari[5]: cunho social, político, privado e até o econômico. Frisamos aqui que seria necessária maior quantidade de dados. A comparação partiu da idéia de provar que este ato ou movimento de exporem escritas e desenhos em público, são decorrentes de 79 AC. A analise é complexa, devido às línguas diferentes e o contexto que algumas inscrições foram expostas (serão apresentadas logo abaixo, algumas traduções sobre o achado arqueológico).

Pompéia foi dominada pelos romanos e era um centro comercial importante na região. Após as escavações, feitas 1.700 anos depois, descobriu-se algumas coisas fundamentais para conhecer melhor o período.

Por exemplo, que o sexo era bastante liberal, tanto que a cidade tinha uma rua só de bordéis. Para valorizar seu trabalho, as prostitutas faziam propaganda nos muros da cidade, assim como a maioria dos habitantes. O grafite já era praticado nesta cidade, o que desconstrói a autoria do ato de inscrever em muros e etc. O povo colocava de tudo nos muros: política, sexo, filosofia, brincadeiras. Algumas frases são sensacionais. Veja algumas de viés político, em campanhas eleitorais, considerando que os candidatos não faziam nada, era a população ou grupos de interesse que desejavam eleger alguém de sua confiança que faziam à propaganda.

• Proculus faz Sabinus vereador e ele fará mais por você.

• Peço-lhe que eleja Marcus Cerrinius Vatia para a vereança.

• Todos os beberrões noctívagos o apóiam. Flores e Fructus escreveram isto.

• Os ladrõezinhos apóiam Vatia para vereador.

• Peço-lhe eleger Aulius Vettius Firmus vereador. Ele merece a municipalidade.

O período havia políticos, ladrões e eleitores visando benefícios, com certeza. Mas nem todos concordavam com o festival de inscrições, e ironizavam:

• Oh parede, admira-me que sustentes tantas bobagens sem desmoronar.

Veja alguns grafites irônicos ou filosóficos:

• O lucro é felicidade.

• O dinheiro não cheira.

• Peguei um resfriado.

• Oppius, palhaço, ladrão, ladrãozinho!

• Virgula ao seu Tertius: Você é (um) inconveniente.

Claro, amor não poderia faltar nas paredes de Pompéia:

• Boa sorte a quem quer que ame!

• Marcus ama Spendusa.

• Celadus, o trácio, faz as garotas suspirar.

• Cornelia Hele é amada por Rufus.

• Secundus cumprimenta a sua Prima onde quer que esteja e imploro à senhora que me ame.

• Boa sorte a quem quer que ame!

• Os amantes, como as abelhas, vivem uma vida melíflua (melosa) - Eu acho!

E claro o sexo e o privado, eram explícitos, incluindo os valores e o ato em questão.

• Myrtis chupa bem.

• Mussius nunca transou aqui.

• Epaphroditus (esteve) aqui com Thalia.

• Viemos aqui de boa vontade, vamo-nos com muita mais vontade, mas reteve-nos (nossos pés) aquela garota.

• Laís chupa por dois ases.

• Serei tua por dois ases de bronze.

• Eutique, grega. Dois ases. De deliciosas habilidades.

Como vimos acima, ao compararmos aos dias atuais, o que há de diferente? Temos os problemas: políticos, vexames, prostituição e privados. Desta forma, o que gostaríamos de demonstrar, é que apesar do tempo cronológico ter modificado, a sociedade parece carregar na mente ou no coletivo, atos que aconteceram em períodos diferentes e geografias distintas, entretanto com atos repetitivos que perduram ultrapassando toda e qualquer barreira.

As mulheres de Pompéia já tinham certa autonomia e liberdade, tanto que dezenas de grafites políticos colocavam mulheres como candidatas. E elas também apareciam como autoras de mensagens apaixonadas.

Os grafites de Pompéia serviram para dar à humanidade um autêntico livro aberto contendo informações importantíssimas daquele tempo; os grafites atuais, na maioria dos casos, servem para evidenciar que a imbecilidade não tem fim.

Estas são apenas algumas inscrições encontradas, como gostaríamos de demonstrar sobre nosso mundo ou período contemporâneo em relação à antiguidade, que na realidade não criamos e sim reproduzimos sob a forma da difusão, interesses latentes do ser humano. Logo em seguida estão representadas inscrições e grafites:

Nesta, gladiadores em combate acompanhados de músicos. Festa total! Ou pão e circo.

O sistema de modo-de-produção escravista da antiguidade ocidental[1] baseava-se na manutenção de uma massa desocupada que facilmente poderia ser mobilizada para as constantes e intermináveis guerras de conquista territorial romana. A plebe para ser distraída e evitar rebeliões sociais recebia o divertimento e alimento, método usado pelo Império durante praticamente toda a sua existência.


As inscrições acima denotam caricaturas, lutas (observa-se aqui, como se fosse anúncio de uma partida de futebol. A batalha entre dois gladiadores) e poesias. São pichações, sim, de anônimos que romperam à barreira do tempo e devido às escavações foi possível estudar estas linhas e sinais de uma sociedade que já protestava, criticava e tinha consciência de seus atos.

Já em nosso mundo contemporâneo, o que reproduzimos? As mesmas insatisfações, comentários da vida privada, política e guerras. Pretendemos provar que o tempo indiferente de sua ordem cronológica; não interferiu no homem. O desejo, a vontade, inserido na mente do ser humano de expor de uma forma gráfica e cultural para alguns e para outros um simples rabisco marginal, estes sentimentos que são reprimidos pelo poder em todas as esferas (política, religiosa e pessoal).

Abaixo, alguns grafites para serem vistos como exemplos destas manifestações de cultura e protesto de uma sociedade que deseja mostrar o que acontece no cotidiano.

“Munus TH Ubique” [“Munus[1], te vejo por toda parte”], aqui se percebe uma certa intenção de “brincar” com os sinais gráficos e palavras, uma forma poética de referir-se a uma prática social de um grupo que beneficia a comunidade como um todo. Semelhanças na atualidade podem ser colocadas quanto à linguagem dos grafiteiros atuais quando misturam a linguagem gráfica com a escrita, como vimos nos grafites acima.

Em nossa breve análise, o que desejávamos comparar foram às inscrições de Pompéia e grafites atuais, têm uma relação sim. O cultural, o da expressão repreendida que toma a liberdade nos muros seja ele na Itália, Brasil, cuba ou em 79 AC chegando em 2007. O importante é que os movimentos existiam e continuam como forma ou ato de ser ou não ser conhecido, de criar uma identidade ou não, e construir uma grafia própria para que seja vista por outros. E para finalizar, talvez tenha passado despercebido, mas o que imaginamos ser criação atual cai e acaba com a autoria de nossa criação. Ou seja, os muros e paredes já eram pichados na antiguidade e não fomos nós os criadores disto. Em resumo, retomando o exposto anteriormente em relação ao conceito antropológico, no qual esta disciplina coloca a importância da forma como o diferente é abordado em um determinados estudo, reflexão, etc, o que procuramos enfatizar foi a semelhança simbólica e representativa em que as culturas podem chegar de acordo com suas manifestações e produções materiais. Para a contemporaneidade, pode ser um pouco difícil compreender as representações culturais de períodos esquecidos na poeira do tempo, entretanto, com algum esforço e pesquisa, pode-se encontrar similitudes, teoricamente, quanto a problemas e condições conjunturais para que se ocorra fenômenos sociais em que a criação humana seja valorizada.

Bibliografia:

FUNARI, Pedro Paulo A. “El caracter popular de la caricatura pompeyana”. Universidade de Campinas.

http://www.ucm.es/BUCM/revistas/ghi/02130181/articulos/GERI9393110153A.PDF.

VELHO, Gilberto. Individualismo e cultura: notas para uma antropologia da sociedade contemporânea. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, Terceira Edição.

MARX, Karl. O Capital. Rio de Janeiro: 6º edição. Civilização Brasileira, 6 Volumes, 1980.



[1] Munus refere-se ao benfeitor romano, geralmente algum magistrado ou parte da elite administradora que promovia os espetáculos para a plebe, as construções romanas, etc.



[1] Segundo as concepções consagradas pelas ciências humanas do sociólogo, filosofo, etc, alemão Karl Marx. Em seu livro intitulado “O Capital” este estabelece os conceitos de modo-de-produção escravista ocidental e modo de produção asiático como formas de desenvolvimento econômico, social, cultural, etc de uma sociedade durante um determinado período da história da humanidade.



[1] “Capitulo 9: Observando o familiar”, In: VELHO, Gilberto. Individualismo e cultura: notas para uma antropologia da sociedade contemporânea. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, Terceira Edição.

[2] Ou seja, aqueles que se diferenciam pelos trabalhos estatísticos no âmbito do trabalho de recolher dados em que não sejam constituídos por meras séries de números quaisquer, mas aqueles que possuem em sua relevância, dados etnográficos. Grifo nosso.

[3] Op. Cit., pp. 123-124.

[4] Depoimento do pixador N. de 29 anos.

[5] FUNARI, Pedro Paulo A. “El caracter popular de la caricatura pompeyana”. Universidade de Campinas. Referência bibliográfica retirada da revista eletrônica desta universidade no site: http://www.ucm.es/BUCM/revistas/ghi/02130181/articulos/GERI9393110153A.PDF.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Depoimentos de Felipe Santos.

Depoimentos de Felipe Santos.

Um dos melhores livros que já li até hoje na área de educação foi "Pedagogia da Autonomia", do célebre Paulo Freire. Segue-se um pequeno em tamanho - porém grandioso em conteúdo - trecho do primeiro capítulo, que vem ao encontro dos assuntos que foram discutidos nas últimas aulas de Didática:

"O educador democrático não pode negar-se o dever de, na sua prática docente, reforçar a capacidade crítica do educando, sua curiosidade, sua insubmissão. Uma de suas tarefas primordiais é trabalhar com os educandos a rigorosidade metódica com que devem se "aproximar" dos objetos cognoscíveis. E esta rigorosidade metódica não tem nada que ver com o discurso "bancário" meramente transferidor do perfil do objeto ou do conteúdo. É exatamente neste sentido que ensinar não se esgota no "tratamento" do objeto ou do conteúdo, superficialmente feito, mas se alonga à produção das condições em que aprender criticamente é possível."

A meu ver, nossa responsabilidade como professores é exatamente a de proporcionar os meios para que os alunos possam pensar criticamente, tirar suas próprias conclusões a respeito do mundo e desenvolver sua própria forma de com ele interagir, tendo por base conceitos teóricos primordiais que são desenvolvidos não só na sala de aula, mas em todo o ambiente escolar e suas adjacências, onde quer que estas sejam.