quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Crônica de um carioca.

Resolvi postar esta crônica, que realizei para a disciplina Rio de Janeiro II. Claro que vários detalhes não foram possíveis incluir. Mas fiquem livres para comentários e acrescentar o que for interessante conforme o assunto abordado.

Crônica de um carioca.


Ao iniciar estas linhas, pretendi não seguir nenhuma regra gramatical, verso, prosa ou algo semelhante, mas relatar ao máximo com liberdade e com alguns questionamentos sobre o cotidiano vivido, da sociedade Carioca, que é formada pela pluralidade cultural.

Os detalhes que percebi durante meus deslocamentos ou viagens entre as áreas urbanas e rurais (zonas: sul, norte, baixada fluminense e Niterói), foram construídos sem a preocupação da linguagem. Somente as palavras citadas pelos atores importavam sendo eu o espectador que observava, como aqueles que vivem, habitam, trabalham ou até mesmo estão de passagem se sentem morando no Rio de Janeiro, participando sobre o palco com várias cenas e interpretações que demonstram as angústias, alegrias e desejos.

Meu comportamento foi inspirado na tentativa de estar em uma outra dimensão. Como se tudo ocorresse ao meu redor sem as interferências do tempo e por alguns instantes, tudo estivesse momentaneamente congelado para a análise. Espero desta maneira expressar o que foi possível captar sobre a questão emocional da sociedade carioca, rica ou pobre, aquela que luta para chegar lá...E ocupar o espaço merecedor.

Tudo se inicia, quando ao abrir o portão de casa, observei em uma segunda feira as 6:30 h (dia da coleta do lixo) que pessoas lutavam para catar os restos de tudo para sobreviver: papel, latas de alumínio, plásticos e espantavam animais como cachorros e cavalos famintos que disputavam com eles o troféu posto em sacos plásticos.

Costumo a brincar com isto, digo que estes animais (cães e cavalos) são inteligentes porque só passam no dia da coleta. Ou seria um novo método de alimentação para os animais planejados pelos seus respectivos proprietários? Quem sabe? Hoje tudo é global e reciclável e o resultado pode virar adubo.

A jornada segue com a alegria da espera do transporte. Aqui na região de Bangu, mais precisamente em Senador Câmara, existem apenas cinco linhas de transporte, onde apenas duas com itinerário para o centro e as restantes circulam em áreas consideradas próximas. Bom, esta questão citada acima é realmente muito boa, porque costumo também a ser sarcástico com a situação dizendo aos amigos que onde nós moramos passa qualquer coisa: carroça, jegue, cavalo, moto com traficante, aliás, modelos novíssimos! E eles têm bom gosto, são todas importadas!!!! Continuando, eu não poderia deixar de falar das famosas Kombi, uma beleza!!! Que praticamente em estado de decomposição ou seria putrefação? Os motoristas deste suposto meio de transporte abordam as pessoas em pontos de ônibus praticamente sugando o passageiro para dentro do dito veículo, com os diversos eslogans promocionais: “Bangu, Bangu, vai, vai, vai...vai tio?” é só R$1,50 e “ixpresso”, “ Ahê!! Hoje num tem oninbus, po os cara queimaram uns dois agora....” ou “ cumpadi o caverão tá na área, vai ou num vai??? “ um orgulho imenso toca meu peito quando inserido nesta área, percebo e agora me questiono o que faço? Vou na Kombi sentindo aquela maldita mola na costela ou... ? A resposta chega rápido: o trem é a solução! Logo chegarei à cidade, pois o trem é rápido e não tem engarrafamento se encontra na maravilha da Avenida Brasil (volto depois a falar sobre ela). Mas para chegar à estação, o percurso gasto é de 10 minutos, os quais passo por alguns minutos observando o paradoxo entre o luxo atual dos trens ao lado dos carroceiros que param ao lado da reformada linha férrea, que por sinal está sendo respeitada até em todas as estações e até em Deodoro(local de mudança de ramal). Pasmem! Perguntaria o leitor, como assim? No passado, as mesmas, digo trens, sofriam ataques de criaturas praticamente medievais que adoravam tacar estes compostos basálticos, ou seja, pedra mesmo! Atirada por alguns camuflados em suas bibocas ou castelos. Eu mesmo presenciei, uma vez uma cena no ano de 2005, muito impressionante: Era o último vagão o qual entrei na central do Brasil, as 17:00 h, um certo vapor ou neblina que subia no local me deixou legal...Beleza mesmo.! Nem sentia a viagem do trem foi muito rápido e logo cheguei na estação para fazer baldeação...

... Quando cheguei a Deodoro, observava um homem que estava ao meu lado com estatura aproximadamente 1.90 m estava na porta da minhoca prateada, ele parecia voar segurando a porta, quando instantaneamente virei o rosto e ouvi um som: era “PÓQUI“ o sujeito estava no chão. Acabara de levar uma pedrada bem no centro da testa. Foi um verdadeiro pânico. Mas sem piedade, aqueles que jogavam cartas trataram logo de despir o sujeito e aliviar as dores do corpo estendido no chão levando o tênis, a carteira, a bolsa e outros utensílios que ele provavelmente deve procurar até hoje e eu claro que sai à francesa, pois em certas situações é melhor ser igual ao Ray Charles. Mas como falei sobre as mudanças realizadas na rede ferroviária, a situação hoje está bem melhor, os trens são equipados com ar condicionado e janelas lacradas. E até os vendedores se modificaram, utilizam técnicas fantásticas para vender seus objetos. Escondem produtos em mochilas parecendo com espiões disfarçados. E no momento certo sacam da mesma, gritando em disputas vocais apresentando o produto que atendem da criança ao idoso. Uma verdadeira praça de vendas.

A viagem realmente é rápida e segura, mas ainda está longe de atender à população, a demanda é muito grande e o fluxo é constante até determinado horário. Surgiu até a lei do vagão especial para as mulheres. Ah! Lembrei a caminho da UERJ atrasado pela manhã, entrei em um desses vagões e quase levei uma surra de umas mulheres um pouco mais musculosas digamos assim que logo avisaram “Ai, ce ta no vagão errado” é melhor sair. Ok! Aceitei porem algumas solicitavam a minha permanência, mas evitei os problemas conjugais, não gostaria de promover separações. Neste momento observei que elas em protesto com a presença emitiam um ruído estranho parecido com o do pombo...Era muito legal: “HUMHUMHUM” eu estava rindo por dentro...Enfim cheguei ao destino em paz e inteiro.

Voltando agora a Avenida Brasil. Uma verdadeira incógnita, nunca sabe qual é o dia que esta, tem boa condição para ser utilizada. No período dos meus pais ela passava pelos problemas de sempre: buracos, má iluminação, sujeiras e etc, mas as melhorias chegaram e agora é presenteada com a tecnologia. Fotos são tiradas a todo o momento em que se invade a pista seletiva e excede o limite de velocidade. Até pessoas nuas já apareceram correndo por esta via, ato de muita coragem e liberdade, sentir o frescor passando pelo corpo. Entretanto um destes momentos é incontestável. O melhor de todos: a fuga da bala perdida, que de perdida não tem nada! Ela sempre tem a direção certa, já vem com CEP, o corpo de um inocente que passa, trabalha ou reside próximo desta via que recebe veículos de todas as partes e com grande concentração. Aliás, tem seu fluxo que sempre desemboca da Avenida Francisco Bicalho, que é outra loucura, além de exalar uma ótima fragrância vinda do mangue este local tão maravilhoso capaz de abrigar várias populações. Digo de mendigos. Possui infra-estrutura a céu aberto para banhos, dormitórios e a noite ainda jantar para as pessoas de rua. E que foram provavelmente esquecidas; mas surgem as almas enviadas pelo Divido, oferecendo ao anoitecer a sopa quente 0800. Assim como na década de 60 com a famosa sopinha do Zaru (Alziro Zaru – LBV) e o SAPS do Governo Federal que alimentava o trabalhador e a população de baixa renda. Mas quando temos eventos à mágica do desaparecimento ocorre! Todos esse moradores de rua somem e a cidade “fica linda, todos com sorriso estampados para os gringos verem como é linda a cidade”.Claro que estou usando do deboche. Para desmascarar os oportunistas e demagogos políticos. Quase esqueci! Deveríamos enviar ao PAN e as Olimpíadas nossos melhores atiradores que estão soltos por aí e os corredores que são capazes de fugir da polícia com extrema habilidade e velocidade. Eles merecem todo crédito!!!!

E a segurança? Que maravilha! Agora depende de onde estamos e como estamos. Vou dar um exemplo, usando relógio no trem, no ônibus, andando pelas ruas ou em qualquer lugar ele acontece, o assalto! E ai você literalmente perdeu...Tudo.

...Outra questão interessante para os estudiosos é o dialeto, muito vasto e com uma objetividade fantástica. Vamos citar algumas situações ou passagens: chegando na favela alguém fala!”Vai um teco? Ai você treme, pensa logo morri com uma bala de AR15, calma! Era só um pacote de cocaína”.Mas tem o lado chique da coisa: Na Rave, caretão não é possível e logo alguém te oferece um comprimido de Êxtase que misturado com uma dose de uísque de boa marca é claro (Ballantines, Buchanas e outros), causa efeito devastador. Mas eu prefiro o Jack Daniels que nem precisa do comprimido já manda logo pro além o nosso fígado e qualquer órgão do corpo. Como podemos apreciar temos de tudo em todos os lugares. Até aqui a segregação acontece, uma vergonha o pobre fica doidão com “Da roça” o rico com “Jack Daniels” e Êxtase.

Outro momento muito interessante é quando somos pegos em blitz. Ai a vaca vai pro brejo. Felizmente nossos defensores da ordem e da lei pedem pouco. Fui abordado devido ao rebaixamento do meu carro, tipo daqueles Hotrod americanos. O paladino pediu apenas R$50,00 para não rebocar, mas eu estava duro e ele solidário com o meu estado econômico deixou esperando 6 horas no canto de um muro para pensar na vida e não andar sem dinheiro. Foi muito bom, pois a temperatura era de 40º em Bangu, local em que o Demo pede até socorro no verão. Mas o mais tocante, em meu coração ocorreu quando assisti um policial parar uma Van (lógico que eu estava nesta, voltando ao chateau) e o mesmo se rendeu aos míseros R$2,00 apenas. E com um detalhe, ele era oficial. Afinal precisamos ajudar estes bravos homens, que lutam contra os males da sociedade. Uma cena comovente! A alegria dele por ter conseguido a quantia do leite das crianças. Lógico que esqueci de um detalhe da matemática: a multiplicação por quantos veículos ao dia e pediu a tal ajuda?

Bom vamos agora partir para o que talvez temos de melhor no Rio. O atendimento em hospitais públicos. Como comentei no inicio, neste processo me coloquei como um espectador. A cena ocorreu da seguinte forma: um amigo estava comemorando o aniversario, e todos bebemos muito, praticamente foram 4 barris de chopp. O bastante para deixar qualquer um empenado. A bebedeira começou as 13 h e acabou as...Acabou? Que nada, atravessamos até as 5 horas do dia seguinte. Aproximadamente 10 foram parar no pronto socorro chamado Albert Schwartz (conhecido na região, como Açougue D’Or), causa alcoolismo. Mas isso foi apenas um detalhe para a situação do problema. Neste dia constatei, que o atendimento era uma porcaria, precário mesmo. Apesar do meu estado ainda conseguia ver o que é escondido por algumas administrações: pessoas jogadas pelo chão, médicos fazendo piadas com o paciente, alguns escolhendo qual paciente deveriam ser atendido primeiro, e até o mais grave. A notícia do óbito de alguém. Uma cena Dantesca lágrimas pra todo lado. Faltava de tudo no hospital. Refleti por alguns segundos, mesmo sobre o efeito do chopp, que as obras realizadas foram apenas de “fachada” e nada mudou e será difícil a mudança. A tentativa de implantar a ambulância SAMU, para resgate não funcionou também devido à questão de área de risco, ou seja, o cidadão morre por falta de atendimento e resgate ou alguma causa que todos já conhecem: por bala perdida, facada, brigas e etc...Resumidamente, nosso atendimento ocorreu as 10:30 h com uma bela injeção contendo glicose e tudo voltara ao normal...E o bom da cena é que foi registrado na ficha como coma alcoólico coletivo (um orgulho para todos nós que estávamos lá).

As escolas da região sofrem o mesmo mal, pensando melhor creio que todas do Rio de Janeiro. As crianças saem para a escola as 7 h da manha e num piscar de olhos já retornam. E observo que os pais perguntam: já voltou? Não tem aula? E o professor? O que? Conselho de classe de novo? Agora inventaram a aprovação automática, como sempre uma polêmica capaz de causar conflitos. Mas a pergunta é simples: seria benéfico para os estudantes da rede publica continuarem na rede ou serem transferidos para o ensino particular?

Estas observações foram feitas na região a qual moro, mas creio que tudo citado até o momento são causas gerais no município. Seja na zona oeste (claro que excluindo a Barra da Tijuca) ou em qualquer outra região.

Com todas as dificuldades e mazelas que sofremos no Rio, percebi que a alma carioca não vive sem o melhor lugar para discutir sobre política, relações, projetos de vida, fofocas, ouvir musica entre outras. O lugar é o Bar, isso é uma beleza, é multi-cultural, tudo ocorre ao mesmo tempo, uma Babel de idéias, visões, e costumes. Encontra-se de tudo até aqueles grupos de pagode em início de carreira que realiza uma apresentação e aguarda a contribuição pelo show. Mas o preferido de todos é o pé-sujo o melhor que tem, sem luxo e frescura do couvert, a qual cobrança considero um assalto. E o happy-hour nos fins de semana ao termino do trabalho, transformam as ruas do centro da cidade em cafés de Paris (vale lembrar que ainda não tive dinheiro para ir lá) tulipas e mais tulipas de chopp decorando as mesas, carros sendo multados por estarem em local proibido. E como não poderia deixar de comentar os deliciosos churrascos de gato que alimentam a todos inclusive os cachorros largados pelas ruas. E quem sabe um dia conheço o pessoalmente Chartier, em um desses simpósios e perguntarei: como foi possível ir a UERJ e não ser convidado para comparecer ao departamento de história, e sim ao de letras, afinal o que aconteceu? Mas tudo bem quem sabe Peter Burke (Socorro) um dia...Comparece.

Mas até hoje não estive em nenhum desses bares que apareçam grupos de rock, blues ou jazz. E o sinal de trânsito, esse é fantástico, é circense: estava eu lá em Niterói passeando, quando observei um menino, praticando sobre uma roda de madeira (tipo carretel de fio, aqueles de Furnas) girando de um lado para outro com extrema habilidade, era o máximo. Pensei! Que talento poderia ser um ginasta. Mas ele provavelmente era pobre e quem poderia ajudá-lo?

Falando sobre a UERJ, esta o meu segundo lar agora, a vejo desde 2005, ano que ingressei, totalmente largada e destruída. Estruturas caindo, tetos que parecem estalactite, elevadores sempre com defeito, as rampas sem iluminação, salas sem portas, sem mesas para professores, apagador e giz, até giz! E muitos vazamentos. Vale lembrar que breve estaremos comemorando aniversario da laje que caiu no pátio e as estruturas colocadas para apoiar a tal passarela danificada. Quem sabe após o governo Rosa, ou do filho do jornalista que domina a ciência etílica, poderemos contar com Huguinho, Zezinho ou Luisinho nossos futuros governantes. Ah lapso meu e João Cana Brava é claro.

Ainda no recinto, quero comentar outro fato como propus em ser o observador, sobre os famosos bilhetinhos no banheiro. Uma criatividade tamanha que ultrapassa toda a tecnologia da Internet. De forma direta, o usuário entra e escreve a mensagem para o seu prazer e de outros também. É tão preciso que marcam hora, data e a quantidade de visitas que poderão realizar algo. Mentes brilhosas! Uma prática feita em outros lugares também pelo centro da cidade, zona sul, norte e etc.

O centro da cidade vejo como o bairro das empresas e profissionais, a concentração do pobre, do rico, de quem mora na baixada, Leblon ou Ipanema. Aqui tudo caminha em ritmo rápido e diversificado. A busca do emprego, obras, meninos de rua, hora do almoço e ir ao banco pagar as contas, frenesi total. Pessoas transitando pelas calçadas ou ruas atravessam os obstáculos das obras, buracos são vários, e os sapatos das mulheres que cravam nas pedras portuguesas, causando irritação. Esse é o centro do Rio. Capaz de abrigar em épocas de comemoração chuva de papel picado. E no carnaval todos vão a Casa Turuna para comprar a fantasia e desfilar. Lembro me das compras no largo de São Francisco em períodos de escola, aonde os pais vão a Casa Cruz para preparar o material das crianças.

Muito interessante é ver o Rio de outro ângulo. Basta ir a Niterói. Desfrutar da maravilhosa paisagem e viagem que dura cerca de 20 minutos ou 12 se usar a Gávea I ou II que partem da Praça XV. Reflexões sobre muitas coisas fiz neste percurso, pensei o que teria ocorrido naquele local? Barcos afundaram aqui? Batalhas entre Franceses e Portugueses? E como era o comércio na região? Observava a alegria dos turistas encantados com tudo ao redor. Mas chegando em Niterói me deparei com uma paisagem linda. O Rio, composto de vários morros, elevações cobertas ainda pelo verde. E neste momento pensei, com seria no período colonial aquele espaço? Parece que foi esculpido propositalmente para ter esta forma. E como não poderia esquecer lá estava ele, olhando para algum lugar: o Cristo Redentor.

Já em Niterói, percebi que também é super agradável a região, composto por obras arquitetônicas e acredito que são tombadas pelo patrimônio histórico. O centro aqui é como o do Rio também concentra as atividades essenciais em um só lugar. A UFF, shopping, teatro todos bem próximos facilitando a todos. Apenas lamentei, a nova obra do Senhor Oscar, que não muda de forma alguma o estilo de projetar e o que é pior logo de frente para as barcas ele produziu aquilo !? Será que não bastava, o museu com forma de xícara, ou sei lá porta bananas? E agora estas curvas de concreto? Afinal o que são? E como não poderia faltar o tiroteio no morro do Estado que ocorre igual aos no morro do Rio.

É uma maravilha andar pela cidade, o centro do Rio de tantos fatos importantes ocorridos, traz em cada esquina algo mágico ou inexplicável, em certos cantos como o Arco do Teles ao caminhar parece que se vive no período da colônia, as casas e igrejas compõem este cenário. Talvez o clima, ou quem sabe as pinturas que estudávamos de Debret, nos remetam a este momento Dejavu.

Ainda pela região do centro, temos Santa Teresa, da mesma forma quando estava em Niterói pude ver de outro ângulo as maravilhas que se apresentam pelos cantos do Rio.

A zona sul. Lugar de poder, mágico à noite, local onde os turistas se divertem com o que é oferecido durante sob o sol do dia e a noite das boites. Lugar para as vendas na praia, da água de côco gelada até o requinte dos luxuosos hotéis. Mas carioca é assim. Pediu informação ele explica em detalhes como chegar, até mesmo sob o calor de 40º, trata o desconhecido como se fosse da família. Entretanto não podemos esquecer dos roubos que mancham a imagem. Mas se no exterior o terrorismo é o pesadelo aqui temos os arrastões. E se um dia o morro descer para o asfalto...Sei não! Um verdadeiro paradoxo do luxo com a pobreza vivendo no mesmo espaço.

Lembrei de uma região que não poderia faltar. A praça Mauá! Lugar muito bom repleto, de boites, porém não elitizadas como as da zona sul, que funcionam muito bem para a high society. O jogo do bicho na escadinha, a pedra do sal (onde eram descarregadas as mercadorias vindas para o porto), fazem a composição característica de um porto. Onde a prostituição e as drogas circulam.

Evidente que não relatei tudo que observei, mas sim momentos que marcaram estas viagens percorridas pela cidade. Indo de Santa Cruz até a Niterói, a composição social e geográfica é muito diversificada. Os traços dos fenótipos e suas respectivas culturas é a característica cultural marcante. A solidariedade do povo que circula pelas ruas, trens, metrô e barcas cativam qualquer ser humano. Posso afirmar isto, pois estive em outros Estados do Brasil e a inexistência do sorriso no rosto é evidente. O Rio é uma metrópole, e como tal comporta de tudo. A pobreza e o luxo circulam sob o olhar do paradoxo em cada esquina. A tal favela temida por muitos, não é só lugar de bandidos como se divulga, existem trabalhadores que saem de suas casa para lutar pela a vida.

O Rio, fala diversos idiomas. Até tem seus sons, ritmos (do samba, rock, funck e pagode), climas e odores, que marcam a geografia mesmo que se circule de olhos fechados por ela. A maresia sinônima de litoral, o clima gelado quando chegamos em Deodoro via Avenida Brasil ou passamos pela serra do Grajaú, os tiros representando perigo da presença de conflitos e o barulho do mar e das barcas. Estou indo para Niterói...

E a baixada lugar parecido com fazenda que parou no tempo, há vacas! Sim! Que circulam ainda pelas ruas. Composta da cena rural, onde ainda se fala bom dia ao vizinho sem a preocupação de disputas e demonstração de status social.

Conforme o anúncio, “eu gosto é de ser carioca” levanta a estima da sociedade carioca, mas quando olhamos para a realidade vimos que ela está sofrendo. O deslocamento de moradores para outros locais está sendo freqüente, devido à violência. Mas o que fazer? Ficar e lutar para melhorar a situação? Ou a segregação vai aumentar mais, seccionando a sociedade carioca.

O Rio, que muitos não conhecem bem. Talvez à noite boemia, do ritmo marcante dos sons das favelas e zona sul. Dos shows oferecidos a preço popular na Tiradentes. Os passeios guiados pelas ruas causando ao turista (as vezes próprio morador da cidade) espanto ao informar que ali existia um morro chamado Castelo e o Tabuleiro da Baiana que virou o Largo onde passamos todos os dias. Na Praça do Passeio com as ciganas tentando ler as mãos de quem circula por ali.

A tentativa foi de relatar as cenas possíveis vividas, e observadas de acordo com as memórias registradas em minha mente. A liberdade de relatar os fatos, que propus foi um exercício que desejava há tempo, sobre a possibilidade de uma escrita sem regras e modelos formados, mas sim de expressar a língua do povo, o coloquial e usual do Rio de Janeiro.

Claudio Mesquita C. de Azevedo.

Um comentário:

André Carvalho disse...

Olá amigo!

Parabens pelo otimo texto!!!

Estava procurando uma coisa no google q nao tinha nada ha ver com o seu texto, mas acabei te encontrando.

Tambem moro em Camará e estou tentando Artes Visuais na UERJ.

Tudo de bom aê.